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20/03/2017 - 10:01h

Fluxo de Caixa

Procura por antecipação de recebível deve demorar um ano para crescer

O crescimento da busca por antecipação de recebíveis deve demorar um ano para retomar patamares anteriores. Relacionada ao baixo consumo e ao aumento de juros na linha, empresários tendem a buscar créditos mais baratos para garantir o fluxo de caixa.


Na segunda queda consecutiva do ano, a menor intenção de consumo das famílias – que caiu 2,1% em fevereiro frente igual mês de 2016 – já reflete em números mais baixos no varejo desde 2015 e, consequentemente, na diminuição da demanda por linhas de antecipação.


Segundo os últimos dados do Banco Central (BC), o declínio na concessão de antecipação de faturas de cartão foi de 13,15% em janeiro último ante o primeiro mês do ano passado (de R$ 2,577 bilhões para R$ 2,238 bilhões), enquanto na desconto de cheques, o recuo chegou a 34,9% (de R$ 2,132 bilhões para R$ 1,387 bilhões).


O desconto de duplicatas foi a única linha relacionada que mostrou aumento, de 3,8% (de R$ 8,864 bilhões para R$ 9,203 bilhões).


“O fluxo de caixa das empresas de varejo sofreu muito no ano passado e agora, mesmo com as sinalizações da Selic [taxa básica de juros], inflação e PIB [Produto Interno Bruto], as caras taxas cobradas por essas linhas agridem muito a carteira do lojista”, identifica o superintendente de Gestão Estratégica do Sicoob, Cláudio Halley.


De fato, mesmo após os cortes consecutivos da Selic desde outubro do ano passado, as linhas de antecipação ainda mostraram aumentos no primeiro mês deste ano frente dezembro de 2016.


A alta foi de 2,2 pontos percentuais na antecipação de faturas de cartão (de 43,5% ao ano para 45,7% ao ano); de 0,8 ponto percentual no desconto de cheques (de 47,1% ao ano para 47,9% ao ano); e de 3,4 pontos percentuais no desconto de duplicatas (de 31,3% ao ano para 34,7% ao ano).


Segundo o sócio-diretor da Praxis Business, Maurício Galhardo, além da queda no consumo que impactou a procura pelo crédito – o que faz com que os bancos elevem as taxas cobradas para compensar – há também diversas movimentações no mercado de adquirência e crédito que “influenciam” as decisões do segmento.


“O setor está passando por um momento de guerra de taxas, principalmente porque é um mercado concentrado”, comenta o executivo.


A concentração acontece porque todos os cinco maiores bancos do País também são donos das maiores empresas de adquirência. O Itaú possui a Rede; a Caixa possui o Faz Crescer; o Santander atua com a Getnet e Bradesco e Banco do Brasil com a Cielo.


“É um fator concomitante. Os players trabalham com as taxas e, mesmo que a economia volte a crescer, as administradoras devem manter as taxas altas porque a demanda ainda é baixa e deve migrar para linhas mais baratas”, completa Mauricio Galhardo.


Ceticismo


Do lado das instituições financeiras, por sua vez, os especialistas entrevistados pelo DCI reforçam que o intuito de ganhar espaço na oferta das linhas de antecipação de recebíveis continua crescente.


De acordo com o gerente de operações do Grupo Senior Solutions, Carlos André Ribeiro, os projetos de antecipação estão cada vez mais frequentes entre os bancos e financeiras.


“As instituições têm fortemente buscado essas soluções para antecipação porque querem entrar nesse mercado de maneira mais significativa. Apesar dos lojistas terem recuado, a intenção tem sido de equilibrar a concorrência”, avalia o gerente de operações.


Da outra ponta, porém, a queda nas concessões corrobora para a sinalização de incerteza futura dos empresários do comércio varejista.


Segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) registrou queda de 1% em fevereiro, ao passar de 93,7 pontos em janeiro, para 92,7 pontos no mês passado.


“Grande parte do dinheiro das contas inativas do FGTS será usado para quitar dívidas. Mesmo que ainda exista a perspectiva que, em algum momento, a economia comece a esquentar, daqui para frente a retomada é gradual”, diz o CEO da Equals, Fabrício Costa.


Os executivos ponderam, porém, que a liberação dos recursos não é suficiente para concretizar o otimismo e “alterar o ritmo de consumo ou criar um ponto de inflexão no varejo”, o que passa a retomada da linha apenas para 2018.


“Ainda há insegurança. E se não há confiança de que vamos retomar uma conjuntura mais amigável é cético acreditar que haverá alguma mudança positiva no curto prazo”, conclui Halley, do Sicoob.


FOMTE: DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços



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